Este artigo discorre sobre a representação social da tuberculose e suas transformações a partir da segunda metade do século XIX. Inserido no campo da História Social, o estudo nos permite compreender, por meio da análise qualitativa com domínio na História das Representações, a história de diferentes grupos sociais que coexistiam a partir da segunda metade do século XIX. A tuberculose, antes romantizada em prosa e verso, ligada aos grupos intelectualizados, passou a representar uma ameaça à ordem social, notadamente no momento de imposição do capitalismo e do modelo burguês, que estabeleceram uma nova lógica urbana, baseada na segregação e isolamento do doente.

As representações sociais da tuberculose na segunda metade do seculo XIX

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Analisa a transformação da cidade de São José dos Campos em Estância Climatérica para o tratamento da tuberculose pulmonar, condição oficialmente instituída em 1935. Por meio de análise do periódico editado pelos tisiologistas da cidade, Boletim Médico, e de fontes correlatas, são analisadas a motivação e as estratégias desse grupo profissional na conversão da pacata cidade de São José dos Campos em centro de referência para a cura da tuberculose. A investigação dos argumentos técnicos que ampararam esse projeto reforça a constatação de que a condição de estância era, simultaneamente, ameaça à população da cidade e motriz da economia local, baseada, até a década de 1950, quase que exclusivamente na exploração da doença.


O Boletim Médico prescrição dos tisiólogos para a cura da cidade de São José dos Campos (1930-1935)

 

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No século XIX pressupunha-se que a cura da tuberculose estaria intimamente associada à salubridade do clima. Desta forma, a transferência dos doentes para lugares específicos de tratamento, as estâncias climatéricas, seria a forma mais adequada de garantir cura efetiva, além, evidentemente, de isolar os focos de contaminação, evitando que os principais centros urbanos cedessem à epidemia. Contudo, o deslocamento do doente de seu espaço social de origem para os centros de tratamento causou grandes abalos nas relações sociais e familiares do tuberculoso. Neste contexto, buscamos discutir as mudanças ocorridas no cotidiano do doente, imposto pela tísica, bem como as implicâncias sociais da estigmatização da doença e do doente. Da mesma forma, pretendemos compreender o abandono dos doentes e mesmo ex-doentes por seus familiares na cidade de São José dos Campos.

MAIORES ABANDONADOS TUBERCULOSOS EM TRATAMENTO NA CIDADE DE

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No início do século XX, a mentalidade proveniente da liberalização da economia atingiu o Brasil obrigando as cidades a buscarem meios para se adequar a essa nova exigência. São José dos Campos, cidade provinciana baseada na economia rural, também sentiu a necessidade de se modernizar. A dificuldade em buscar formas para se industrializar impôs ao município uma solução original, uma economia gerada pelo lucro advindo da tuberculose. Sua propagada fama de “bons ares” atraiu grande quantidade de doentes acometidos do peito que contribuíram para a dinamização econômica da cidade e para o processo de crescimento urbano. A agropecuária deixa de ser a atividade mais importante e a doença passa a ser o motor da economia local.

SÃO JOSÉ DOS CAMPOS RUINS AOS BONS ARES (1890-1940)

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Autor: Antonio Carlos Oliveira da Silva
Orientadora: Profª Drª Estefânia Knotz C. Fraga
Ano: 2009

DIVERSÃO E SOBREVIVÊNCIA

 

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