O objetivo deste artigo consiste em recolher memórias da fase senatorial de São José dos Campos, período que compreende a década de 1920 a 1960 em que o município se tornou grande centro de referência do tratamento da tuberculose no Brasil. Utilizou-se como ferramenta a história oral por meio da coleta de memórias da neta do proprietário da primeira pensão que alojou tuberculosos nas mediações dos sanatórios, a fim de atender a grande demanda de pacientes em busca de tratamento. Visa-se recuperar aspectos cotidianos da vida do entorno do sanatório Vila Samaritana (1929), localizado na Rua Paraibuna, zona central da cidade, área que alojava os estabelecimentos especializados no tratamento da tuberculose, procurando privilegiar as memórias periféricas, ou seja, particularmente, aquelas que nos permitem perceber as relações e dinâmicas entrelaçadas ao espaço sanatorial como eixo de referência.

O silencio da memoria;Vida do entorno da Vila Samaritana em São José dos Campos-SP

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No século XIX pressupunha-se que a cura da tuberculose estaria intimamente associada à salubridade do clima. Desta forma, a transferência dos doentes para lugares específicos de tratamento, as estâncias climatéricas, seria a forma mais adequada de garantir cura efetiva, além, evidentemente, de isolar os focos de contaminação, evitando que os principais centros urbanos cedessem à epidemia. Contudo, o deslocamento do doente de seu espaço social de origem para os centros de tratamento causou grandes abalos nas relações sociais e familiares do tuberculoso. Neste contexto, buscamos discutir as mudanças ocorridas no cotidiano do doente, imposto pela tísica, bem como as implicâncias sociais da estigmatização da doença e do doente. Da mesma forma, pretendemos compreender o abandono dos doentes e mesmo ex-doentes por seus familiares na cidade de São José dos Campos.

MAIORES ABANDONADOS TUBERCULOSOS EM TRATAMENTO NA CIDADE DE

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No início do século XX, a mentalidade proveniente da liberalização da economia atingiu o Brasil obrigando as cidades a buscarem meios para se adequar a essa nova exigência. São José dos Campos, cidade provinciana baseada na economia rural, também sentiu a necessidade de se modernizar. A dificuldade em buscar formas para se industrializar impôs ao município uma solução original, uma economia gerada pelo lucro advindo da tuberculose. Sua propagada fama de “bons ares” atraiu grande quantidade de doentes acometidos do peito que contribuíram para a dinamização econômica da cidade e para o processo de crescimento urbano. A agropecuária deixa de ser a atividade mais importante e a doença passa a ser o motor da economia local.

SÃO JOSÉ DOS CAMPOS RUINS AOS BONS ARES (1890-1940)

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