A formação do Estado-Nação, enquanto território, num contexto de intensa internacionalização do capital, passa pela questão do lugar. Este é alvo de ações hegemônicas, ligadas ao capital e ao Estado, e ações orgânicas, estas segundas associadas às comunidades que habitam o lugar. No município de São José dos Campos, o lugar no plano e, na língua dos manos, aponta para territorialidades que se estabelecem entre o espaço instrumental e o espaço orgânico, apontados numa interpretação da cultura hip hop na cidade. Essa interpretação apoiou-se em partes significativas na Antropologia Social, por vezes se aproximando da Psicanálise. Tomou-se o lugar de um ponto de vista simbólico, como resultado de relações dialéticas entre organização social e organização espacial, num contexto de luta de classes, entre dominantes e dominados. Uma cidade de cerca de meio milhão de habitantes, com aproximadamente 98% da população urbana, o município de São José dos Campos tem seus moradores vivendo em um espaço urbano nitidamente segregado, onde, atualmente, a maior parte de seus habitantes é jovem e residente de bairros populares. Parcela dessa população reage, através da cultura hip hop, à exclusão sócio-espacial imposta pelos interesses da acumulação capitalista, trazendo os conflitos vividos no lugar aos olhos da opinião pública (tendências subjetivas que definem padrões de consumo e intenções de votos). O hip hop, enquanto linguagem da violência, afronta à violência simbólica legítima do Estado expressa no espaço instrumental, ao criar outras territorialidades no espaço orgânico, que defendem o lugar, através de suas manifestações culturais, das investidas desterritorializantes, tanto dos poderes públicos como do capital.

Autor: Sérgio Gonçalves de Amorim
Orientador:Prof. Dr. José Oswaldo Soares de Oliveira
Ano:2004

O Lugar no Plano e, na Lígua dos Manos. Territorialidades do Espaço Instrumental e, do Espaço Orgânico, num Estudo da Cultura Hip Hop, no Município de São José dos Campos