Como seriam as relações de convívio num município que se torna estância de tratamento da tuberculose? Como a população do local convive com a população de doentes em busca de tratamento? Que relações se estabelecem entre os espaços de tratamento e os espaços públicos da cidade? Como se estabelecem relações de convívio entre doentes e sãos? Essas e outras questões são objetos de estudo de uma pesquisa financiada pela Fapesp com a finalidade de entender as práticas cotidianas estabelecidas nos espaços das estâncias climáticas de São José dos Campos e Campos do Jordão no inicio do século XX, quando os dois municípios foram importantes centros de tratamento da tuberculose e sofreram rígida disciplina sanitária. Para a realização da pesquisa utilizou-se do recurso da história oral a partir da coleta de depoimento de doentes, de moradores ou de pessoas que viveram a realidade das estâncias ou que, “por tabela” ouviram falar dela, ou seja, viveram pelo grupo ou pela coletividade à qual a pessoa se sente pertencer. Por meio dos depoimentos e da memória, compreendida como um fenômeno social e coletivo, foi possível entender o cotidiano das estâncias de tratamento, campos de permanente tensão e disputas.

Memória da fase sanatorial em São José dos Campos e Campos do Jordão