No processo histórico de construção da urbanidade – e das identidades urbanas, a saúde desempenhou, em diversos momentos, significativo papel. As estâncias climáticas, no século XIX, combinavam as concepções de saúde vigentes na geografia médica e na clínica aos novos preceitos de planejamento urbano. Este trabalho se propõe a refletir sobre o ideário envolvido na construção das Estâncias para o tratamento da tuberculose entre meados do século XIX e as primeiras décadas do século XX. Exemplifica os casos de Campos do Jordão e São José dos Campos como propostas simultaneamente médico-terapêuticas e de desenvolvimento urbano. A análise das Estâncias como construção social revela um campo de disputa de múltiplos interesses, em momento de transição política e econômica em que atores e organizações se articulavam tendo por pano de fundo a institucionalização da saúde pública e o desenvolvimento de núcleos urbanos no Brasil. O trabalho pretende, assim, contribuir para os estudos que analisam a correlação entre as políticas de saúde e de desenvolvimento urbano na passagem do século XIX ao XX no Brasil.


Uma reflexão história sobre a incorporação da saúde ao imaginário da cidade Cidades senatoriais no século XIX em São Paulo