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Pesquisa no Pró-Memória mapeia ruas centrais de antigamente

Por meio de propagandas em periódicos digitalizados foram identificadas 42 ruas, travessas, alamedas e praças


Quem passa pela rua Vilaça, no centro de São José dos Campos nem imagina que no começo do século passado ela era chamada de rua da Forca. Essa é uma das curiosidades descobertas pelo estudante de graduação em história Guilherme Escobar. Ele é um dos estagiários do Pró-Memória e com o colega Edson Bellucci está trabalhando em um projeto chamado “Ruas”.

A pesquisa visa fazer um mapeamento do perímetro urbano, caracterizando as ruas centrais e mudanças no espaço da cidade nas primeiras décadas do século XX, a partir do levantamento de informações em anúncios e notícias de periódicos digitalizados e disponibilizados pelo Pró-Memória. As principais fontes são: Boletim Médico (1933-1936), Almanaque (1905 e 1922) e jornal Correio Joseense (1920-1967).

Há propagandas de sanatórios, clínicas, farmácias, pensões, alfaiates, empórios, entre outros tipos de comércio, com os respectivos endereços permitindo traçar esse mapeamento do espaço na época. Assim, foram identificadas 42 ruas, travessas, alamedas e praças.

“No início da cidade, as ruas tinham os nomes mais simples, como a Rua XV de Novembro que era chamada de Rua Direita e era considerada a rua nobre de São José dos Campos com as melhores casas e bares, ou como a Rua do Teatro (atual Sebastião Humel) que levava esse nome devido ao Teatro São José que ficava ali, famoso pelos bailes de carnaval. Assim podemos ver como era o cotidiano das pessoas da época. Hoje os nomes das ruas são voltados para homenagens de pessoas, datas, lugares, sem a preocupação de apontar um ponto de referência como antigamente”, afirma Guilherme.

Segundo o estudante, o objetivo do projeto de pesquisa é publicar um livro e abordar todo o processo em seu trabalho de conclusão de curso, no final do ano, sob orientação da professora Valéria Zanetti, uma das coordenadoras da Univap no convênio com a Câmara e o Arquivo Público para o Pró-Memória.

A professora explica que “a história dos nomes das ruas é objeto da Toponímia, ciência auxiliar da História. Pelos nomes das ruas pode-se ter acesso a informações a respeito dos valores de uma época, uma vez que eles retratam o contexto histórico, político e cultural da comunidade. O estudo nos permite entender que o nome da rua nada mais é do que a expressão sócio cultural do lugar”.

Por meio de uma propaganda em uma página do Boletim Médico, por exemplo, é possível saber que Ivan de Souza Lopes foi um médico assistente do Dr. Nelson D’Ávila que também trabalhou no Sanatório Vicentina Aranha. Dr. Ivan tinha um consultório na Rua Sebastião Humel, onde oferecia serviços como consultas em clínica geral e tuberculose, exames e análises laboratoriais. Hoje ele dá nome a uma rua do centro, entre a Francisco Paes e a Dolzani Ricardo.

“A história das ruas será escrita com base em fontes impressas antigas que vão nos dar a primeira denominação da rua, bem como as mudanças ocorridas ao longo do tempo, e vai se valer de depoimentos de moradores que têm lembranças e memórias da rua. É também intuito da pesquisa montar um acervo de imagens fotográficas antigas dos logradouros”, afirma Valéria.

Pró-Memória
Criado em 2003 por decreto legislativo, o Pró-Memória promove a recuperação, a preservação e a divulgação da história do município por meio de convênio entre Câmara, Univap e Arquivo Público/Fundação Cultural Cassiano Ricardo.

No acervo disponibilizado ao público pela página hospedada no site da Câmara é possível pesquisar fotografias, edições de jornais e revistas, documentação forense e administrativa, manuscritos, além de trabalhos acadêmicos e ainda a coletânea de livros com sete volumes “São José dos Campos - História e Cidade”.

Para acessar o site do Pró-Memória, clique aqui ou no ícone de ampulheta na página principal da Câmara.


Palavra(s)-chave(s): Pró-Memória, Projeto Ruas