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TV Câmara mostra como era a vida de uma jovem de São José no tempo dos sanatórios

Estreia sexta (4), 12h, o programa Histórias e Memórias com Yara Nunes Galvão, musicista joseense de 92 anos


TV Câmara mostra como era a vida de uma jovem de São José no tempo dos sanatórios

A professora de música gravou o depoimento no Parque Vicentina Aranha. (Foto: Flávio Pereira/CMSJC)

Em depoimento gravado pela TV Câmara, a neta do médico Mário Nunes Galvão, Yara Pereira Nunes Galvão, contou à historiadora do Arquivo Público Nadia Kojio como foi a infância e juventude na cidade durante a fase sanatorial, na primeira metade do século XX. Ela tem 92 anos, nasceu em São José dos Campos e atualmente mora em São Paulo, onde cursou faculdade de música e trabalhou como professora de artes.

A musicista conta que o avô carioca chegou a São José dos Campos em 1920 com suspeita de tuberculose, porém aqui abriu consultório e formou família. Reconhecido na cidade, ele também dá nome a uma avenida no Jardim Bela Vista. O pai de Yara era militar e a mãe foi professora na escola Olímpio Catão.

Além das lembranças felizes, Yara recorda que havia uma segregação entre as áreas ocupadas por sanatórios para tuberculosos e os demais moradores da cidade, que não eram receptivos a pessoas de fora por medo de contágio. Segundo ela, os estrangeiros que vieram por ocasião da criação do ITA também foram hostilizados. Como gostava de conhecer pessoas, ia ao Vicentina Aranha, escondida da mãe, tocar piano para os pacientes e tinha aulas de inglês com uma professora que morava no CTA.

No programa ela relembra as amizades que fez na década de 1940 e a convivência com famílias que se destacaram na sociedade joseense da época como D’Avila, Gomes, Chuster, Savastano e Weiss. Manuseando fotos antigas, ela identifica amigos daquela época, a exemplo de Domingos Campoy e Nadir Marcondes.

Yara era tenista e participou de competições no Tênis Clube, do qual era sócia e contribuiu para a construção da piscina. Também frequentava o Clube do Sapo, um centro de diversão para jovens que promovia eventos, como desfiles de moda. (*)

O depoimento de Yara é o terceiro de uma série veiculada pela TV Câmara e produzida em parceria com o Arquivo Público. Os depoimentos anteriores foram do engenheiro Vitor Chuster e do arquiteto Ricardo Veiga.  A TV Câmara está no canal 7 da NET e 9 da Vivo TV. Quem não é assinante das operadoras também pode assistir pelo nosso site, clicando no ícone TV Câmara, ou pelo aplicativo disponível para os celulares de sistema iOS e Android. O aplicativo pode ser baixado pela App Store ou Play Store. O programa também ficará disponível no nosso canal do YouTube.

Para saber mais

Para quem quiser se aprofundar mais na pesquisa sobre esse período, o site Pró-Memória disponibiliza conteúdo acadêmico produzido por alunos bolsistas e professores do curso de História da Univap, como um artigo sobre relações de convívio durante a fase sanatorial e outro sobre o preconceito sofrido pelos tuberculosos na cidade. O assunto também foi tema de um trabalho de conclusão de curso em 2016 e do quarto volume da coleção de livros História e Cidade.

Todo esse conhecimento que está a um clique é fruto de um convênio entre a Câmara Municipal, a Fundação Cultural Cassiano Ricardo e a Univap que visa promover a recuperação, a preservação e a divulgação da história de São José dos Campos por meio do Núcleo de Pesquisa Pró-Memória, instituído por Decreto Legislativo em 2003.